Estado do Paraná - 11/05/2004
"Enfim, ótima música Brasileira"
Por Alex Gutenberg

Almanaque

Desde tempos imemoriais, pré anos 80, que a música brasileira é motivo para desacorsoamento. Nada de novo, nada inteligente, e uma insistência na mesmice, hora baseada em tentativas de se criar um rock'n'roll nacional ora na tentativa de se abusar da fatídica criatividade e produzir grupos musicais que mais parecem libertinagem irresposável de sons. A maioria cai no insuportável - sertanejos, axés, pagodes, e afins -, a minoria, fica na pobreza de espírito.

Pior, a música brasileira, nos últimos 20 anos, além de conviver com o mau gosto, faz as novas gerações se esquecerem das boas composições e dos grandes compositores do passado. Muito pior: só vale o que toca em meia dúzia de rádios nacionais e apenas são considerados - por mídia e consumidores - aqueles que se apresentam nos hiperprogramas de auditório.

A Guzzi é uma cantora, compositora, filha do contrabaixista Peter Woolley que, aos 39 anos está lançando seu primeiro disco, simplismente Guzzi. Fui ouvi-lo com restrições - que as perdi logo nos primeiros acordes de Alegre Menina de Dori Caymmi e Jorge Amado, um arranjo que me lembrou nuvens, algodão doce tal o capricho da harmonia, melodia ritmo com a voz dela. Soberbo. Não vou descrever as outras músicas, mas garanto que a cantora e seu diretor musical, Mané Silveira, produziram um disco obrigatório.

A música brasileira nos lançamentos da Maritaca não vai aparecer nos Faustões da vida. Nos meios musicais, que entende do negócio, sabe que é da melhor qualidade. Eu recomendo não apenas para o público em geral, mas para todas as bibliotecas e discotecas públicas e privadas a fim de perpetuar nossa MPB.

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